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Selton Mello retoma carreira de cineasta em ‘O Filme da Minha Vida’

'Queria fazer um bem ao público', conta o ator e cineasta Divulgação

O lirismo é a chave de “O Filme da Minha Vida”, terceira incursão do ator Selton Mello na direção de longas. A produção, que estreia nesta quinta-feira (3), é baseada no romance “Um Pai de Cinema”, do chileno Antonio Skármeta (ed. Record, 112 págs., R$ 35), e narra a passagem de um jovem (Johnny Massaro) à vida adulta a partir da ausência que ele sente do pai (Vincent Cassel).

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A trama se passa em um povoado das Serras Gaúchas, nos anos 1960, e se vale da fotografia caprichada de Walter Carvalho para injetar ainda mais poesia à trama. Selton também participa como ator e conta com uma ponta do próprio Skármeta em cena.

O longa representa um teste para o diretor de 44 anos após ele ter se surpreendido com o sucesso de “O Palhaço” (2011), filme de baixo orçamento que levou 1,4 milhão de pessoas aos cinemas.

“O Palhaço” é um filme simples, bonito e que aposta na força da inocência. De certa forma, todos esses elementos estão presentes neste filme. Por que eles são importantes para você?

“O Palhaço” é uma benção nas nossas vidas. Quando eu li esse livro, falei: “Achei outro na mesma pegada!”. Eles estão na mesma prateleira: uma história clássica, sem invencionismos, mas com belas viradas. É uma história humana, lírica, divertida, emocionante… Tudo do que gosto já estava ali. Tive então a chance de percorrer de novo a via afetiva do “Palhaço”, só que com mais bagagem como diretor, depois da [série] “Sessão de Terapia”. Acho que “O Filme” é esteticamente mais refinado e mais ambicioso. Eu pretendia fazer algo que fizesse bem para o público. Nos dias de hoje, esse filme pode ser um carinho.

Você trabalha com as imagens arquetípicas do pai e da mãe. Por quê?

Eu dedico o filme aos meus pais. Minha relação com eles é muito forte, afetiva, carinhosa. Fui criado em um verdadeiro berço de ouro. Então quis fazer uma ode à família, um filme que celebra a união e o que há de melhor no ser humano. Essa é a garrafa que estou jogando ao mar.

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Qual a importância de vocês se isolarem na Serra Gaúcha para fazer esse filme?

Incrível! É um lugar lindo, superagradável. Foi uma maravilha ficar ali. O livro se passa na serra chilena nos anos 1950, mas passei para o Brasil dos anos 1960 pelo simples fato de que, no Brasil, a transição do rádio para a TV aconteceu dez anos depois.


Quando você está roteirizando, como decide qual será seu personagem?

Dessa vez ele já estava apontadinho. O Skármeta me falou para fazer o protagonista. Eu disse: “Tá maluco? Tô velho”. E ele: “Mas o protagonista de ‘O Carteiro e o Poeta’ era um jovem também e colocaram aquele ator de 40 anos”. Talvez fosse porque ele achava que eu não encontraria um ator como o Johnny Massaro. Então, quando vi ali aquele grosseirão, amigo do pai e do filho, achei ótimo. Era um personagem legal, bom de fazer, que filma pouco, tem uma importância na história, mas não me ocupa tanto tempo.

O filme tem no elenco Rolando Boldrin, que a gente não vê mais atuando. Por que você decidiu trazê-lo?

É um trabalho de resistência. O Brasil é um país sem memória e muito injusto com seus talentos. A gente é muito ligado ao novo. Eu vi o Boldrin atuando em novelas da Bandeirantes, eu o vi no cinema, nos anos 1980, e via o “Som Brasil”. É bonito trazê-lo e o público que acompanha o meu trabalho poder assistir e falar: “quem é aquela figura que faz o maquinista?”. E aí vai no Google e descobre a importância dele para a cultura brasileira. É bonito apresentar o Boldrin para uma outra geração.


Como foi a relação com o Skármeta em cena?

Ele é muito divertido e perspicaz e, ao mesmo tempo, é emotivo e muito generoso. Uns quatro livros dele já viraram filmes, então ele não fica limitando [o roteiro]. Ele sabia que, para o filme acontecer, eu precisava ir além, criar outras histórias e pontos de virada. Foi ótimo.

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