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Brasileiro conta como escapou da morte duas vezes em Israel: “Troca de tiros de quatro a cinco minutos”

Yehuda Weiss, 26, sobreviveu a ataque em rave e depois foi convocado pelo Exército israelense

Ele pediu ao Itamaraty para voltar ao Brasil
Brasieiro Yehuda Weiss, de 26 anos, escapou de ataque do Hamas em festa rave e depois presenciou confronto servindo ao Exército israelense (Reprodução/Arquivo pessoal)

O brasileiro Yehuda Weiss, de 26 anos, contou como escapou da morte duas vezes durante os ataques do Hamas, em Israel. Ele estava no festival “Universo Paralello”, quando terroristas dispararam mísseis e mataram pelo menos 260 pessoas. O rapaz conseguiu escapar do local e, por ser militar da reserva israelense, se ofereceu para o combate. Ele foi convocado e presenciou uma intensa troca de tiros em uma base militar nas proximidades da fronteira com a Faixa de Gaza.

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“A gente abriu fogo contra eles [Hamas]. Começou a troca de tiros, eles eram muitos, nós éramos em oito. A troca de tiros durou de quatro a cinco minutos. Foi muito intenso. Depois disso, fui para o hospital. Quase morri por duas vezes”, disse Weiss, em entrevista ao site UOL.

O rapaz disse que, no sábado (7), estava na festa rave que era realizado no deserto de Negev, perto de Re-im, no sul de Israel, a menos de 20 quilômetros da Faixa de Gaza, acompanhado de amigos. Eles perceberam uma “chuva de mísseis”, mas inicialmente pensaram que se tratava de fogos de artifício. Logo depois a música foi desligada e a correria tomou conta do festival.

“Não tinha onde se esconder. Vimos drones, estavam filmando a gente”, relatou, dizendo que ele e os amigos conseguiram se refugiar em um bunker. Uma amiga dele sumiu na confusão e ainda não foi achada.

Depois disso, o brasileiro seguiu para a cidade em que vive, Beer Sheva, onde se ofereceu para servir o Exército israelense. A convocação aconteceu no domingo (8), quando ele foi levado para uma base militar nas proximidades da Faixa de Gaza, com o intuito de cuidar da segurança do estoque de armas e tanques.

Porém, Weiss diz que presenciou um ataque do Hamas contra os militares, quando houve uma intensa troca de tiros. “Vimos soldados mortos e pessoas do Hamas tentando sequestrar os corpos”, contou.

Na sequência, ele quase foi morto por um dos terroristas. ”Virei para trás e o vi em minha direção, mas uma unidade de apoio de elite de Israel conseguiu me salvar. Fui atingido por estilhaços de bala”.

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O brasileiro sofreu ferimentos na perna e na mão e foi levado a um hospital. Lá, o médico disse que ele não tinha mais condições psicológicas de seguir em combate e ele acabou dispensado.

Agora, Weiss diz que solicitou ajuda ao Itamaraty para voltar ao Brasil. “Na verdade, não gostaria. Mas acredito que é a melhor opção no momento”, afirmou, já que a tensão em Israel deve continuar por um bom tempo. “Comprei alimentos e água para os próximos dias. Está muito complicado sair na rua, estou com dois amigos que sobreviveram na festa. A gente escuta as bombas de Gaza e os mísseis o tempo todo. Está um caos. Está horrível”, lamentou.

Brasileiros mortos e desaparecida

Dois brasileiros que estavam na mesma festa rave já tiveram a morte confirmada: Bruna Valeanu e  Ranani Nidejelski Glazer.

Além deles, também estava no evento a brasileira Karla Stelzer Mendes, de 41 anos, que segue desaparecida. Ela é professora e mora em Beit Ezra, que fica a 46 km de Tel-Aviv. A mulher estava acompanhada do namorado, Gabi Azulay, que também não foi mais visto desde o ataque do Hamas.

Aos prantos, o DJ Alok fez uma postagem nas redes sociais lamentando o ataque em Israel e relatando como o pai conseguiu se salvar. Ele também estava no festival, onde foi contratado para tocar. Segundo ele, o DJ Swarup segue em Tel Aviv, aguardando para retornar ao Brasil.

Eles estavam em festival de música interrompido por conflito
Brasileiros Bruna Valeanu e Ranani Glazer morreram em Israel; já Karla Stelzer Mendes ainda é procurada (Reprodução/Redes sociais)

Conflito

Hamas, grupo extremista que controla a Faixa de Gaza, atacou Israel em várias frentes, no último sábado (7), dando início a um conflito que já deixou mais de 1,7 mil mortos. Inicialmente, civis e soldados israelenses foram sequestrados e assassinados em diversas regiões do país. Em resposta, o governo israelense declarou guerra e bombardeou fortemente a área rival, deixando um enorme rastro de destruição, conforme vídeos que circulam nas redes sociais.

Na segunda-feira (9), o governo de Israel informou que restabeleceu o controle das comunidades ao redor da Faixa de Gaza. Para “acabar de vez com a ação violenta do Hamas”, o ministro da defesa israelense, Yoav Galant, ordenou o bloqueio total da área, que deve permanecer “sem eletricidade, sem alimentos e combustível”.

Países de todo o mundo fazem mobilizações para retirar turistas da área, incluindo o Brasil, que disponibilizou os aviões da FAB para o resgate.

Nesta terça-feira (10), o Exército israelense mantém fortes bombardeios contra a Faixa de Gaza. O governo local fala de prédios e casa destruídos e centenas de mortos, que ainda nem foram contabilizados. Enquanto isso, as forças de Israel dizem que encontraram corpos de 1,5 mil integrantes do Hamas em seus territórios.

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